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Autoestima e Masculinidade Tóxica

Atualizado: 13 de mai. de 2021

Antes de qualquer coisa, discutir sobre masculinidade tóxica na internet, até mesmo a mera menção desse termo, leva uma CERTA demografia a descartar qualquer argumento como ‘balela feminista mimimi’, assim sendo, aqui vai uma simples descrição do que se entende pelo termo: Segundo o sociólogo Michael Flood, “[O termo] é geralmente usado para se referir às estreitas normas, tradições e estereotipos relacionados a ‘ser másculo’ que moldam a vida de meninos e homens. Essas normas incluem as expectativas de que eles devem ser ativos, agressivos, durões, ousados e dominantes.”¹



Com isso claramente estabelecido, nasce a pergunta: como essa ideia se relaciona a autoestima?

A evidência mais exemplificativa é simplesmente que esse conjunto de comportamentos e visões de mundo afetam negativamente não só o resto da população como também os perpetuadores (homens héteros e cis). Um caso bem comum é o do homem que foi instruído durante toda a vida a perseguir esses ideais: ser autônomo, tomar riscos, ser sexualmente ativo, ser dominante no espaço de trabalho. Esse indivíduo, muito provavelmente, tenha internalizado essas lições e seguido sua vida, até que em algum ponto, quando supostamente colheria os frutos da sua masculinidade, ele é forçado a enfrentar a realidade. Sua autossuficiência é, a cada dia, menos valorizada num ambiente econômico que preza a ‘interdependência e interconectividade’. A expressão exagerada da sua sexualidade, na imensa maioria dos casos de forma sexista e inapropriada, foi questionada por uma sociedade que se importa mais e mais com a condição da mulher.


Nesse momento, duas reações podem acontecer. Ele pode jurar vingança ao mundo ‘feminizado’ e ‘cheio de militante esquerdopata’, vivendo de modo a expressar toda a sua ‘masculinidade’, como se isso fosse uma afronta às forças que tentam destruí-lo. Outra, e mais sensata, reação é questionar o que lhe foi dito.² O primeiro, concluindo que o mundo quer sua extinção, vive todo momento na defensiva, sempre paranoico, se atrelando mais àqueles ideais já restritos, os tornando reduzidos ao ponto de se tornarem mantras.


Obviamente, agir dessa forma trás malefícios pra tudo e todos ao seu redor, mas também a si mesmo. Essa é uma pessoa emocionalmente instável e, por causa de suas convicções, JAMAIS admitiria. Ela precisa seguir padrões estéticos rigorosíssimos; não demonstrar emoções demais porque é ‘coisa de baitola’, etc. E se ele falhar de novo? Na realidade, o que o levou a chegar nesse ponto foi não conseguir atingir objetivos, mesmo que eles sejam imaginários e impostos por forças externas ele não pensa assim, pra ele são verdades.


Emocionalmente, o que se torna dessa pessoa? Usar a palavra autoestima parece um eufemismo. Todo seu valor se resume a seguir três ou quatro parâmetros. Comparar os dois exemplos dados anteriormente é, fundamentalmente, uma distinção entre ser consciente das suas falhas e as negar completamente (nesse caso elas se tornam virtudes). A segunda pessoa passa por um processo muito mais pessoal e que depende exclusivamente dela.


Com isso vêm as pressões familiares a todo mundo que já questionou suas verdades: “será que eu sempre estive errado?” “como posso mudar?” “como lidar com ter vergonha de si mesmo?”. Substituindo uma conclusão, vou usar esse espaço no final do texto para pontuar algumas coisas que considero importantes: não, a masculinidade tóxica não afeta mais o homem cis hétero do que outros grupos. Achei importante escrever sobre essa perspectiva porque, muitas vezes, as pessoas ‘exemplo 1’ se veem “vitimizadas” por vozes progressistas, mesmo que elas estejam erradas, é importante entender seu ponto de vista; sim, esses exemplos são hiperbólicos para fins didáticos, nenhuma pessoa ‘exemplo 1’ é tão simples quanto a descrita por mim, porém isso é um post no Instagram não uma tese acadêmica.


Quero deixar aqui, também, alguns assuntos que não mencionei, mas que são importantes na discussão: a cultura ‘incel’; a insurgência de políticas reacionária relacionadas à masculinidade, como os “Men’s Rights Activists”. ¹ retirado do texto “Toxic masculinity: A primer and commentary” ² Y. Joel Wong, no artigo de Peter Hess para a publicação ‘Popular Science

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