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Os precedentes do Black Lives Matter


A luta do movimento negro por direitos civis e jurídicos não é uma batalha vencida. Os ganhos concretizados não foram, de maneira alguma, um ponto final na história. Um notório exemplo de resistência reacionária a agenda negra foi a morte de Marielle Franco. Hoje, 866 dias depois da morte da vereadora, a situação, assim como o caso de diversos outros indivíduos, ainda não foi resolvida e recebe mínima atenção dos agentes responsáveis, mostrando a persistente importância do ativismo negro. A manifestação dessa luta mais recente e de maior alcance é o movimento estadunidense “Black Lives Matter”. Mas afinal, como surgiu essa causa?


Os precedentes do movimento têm suas raízes em grupos ativistas como os Black Panthers (originalmente ‘Black Panther Party for Self-Defense’, em português: Partido Pantera Negra para Autodefesa), uma organização socialista revolucionária fundada pelos estudantes Bobby Seale e Huey Newton, nos anos 60 em Oakland, na Califórnia. O partido tinha como principal prática a patrulha de cidadãos portadores de armas para monitorar o comportamento da força policial de Oakland, desafiando a brutalidade policial na cidade. Outro paralelo ao BLM é o Movimento pelos Direitos Civis dos anos 50 e 60 que tinha como principal figura o pastor e ativista Martin Luther King Jr. além de personalidades como Malcom X e Rosa Parks. Este possuía cunho menos revolucionário que os Panteras Negras e almejava a conquista da igualdade jurídica para pessoas negras nos Estados Unidos, principalmente no Sul do país.




As influências mais contemporâneas ao BLM também são as mais evidentes. Os protestos consequentes da morte de Rodney King pelas mãos de um policial se assemelham aos atuais não só em incidente instigante, violência policial excessiva sobre pessoas negras, mas também em sua espontaneidade: ambos não apresentam o foco político dos Panteras, mas sim nasceram de uma insatisfação geral da população negra.


O primeiro uso do termo ‘Black Lives Matter’ como síntese de um movimento ocorreu em 2013 diante da morte de Travon Martyn, um jovem negro inocente, pelo policial George Zimmerman na cidade de Ferguson, Missouri. O policial foi completamente absolvido do assassinato. Desde então, os protestos pautados no combate à violência policial vêm usando o mantra BLM. Infelizmente, a morte de pessoas negras pelas mãos de policiais é frequente nos Estados Unidos, assim como em vários outros países, o Brasil sendo um caso tão deplorável quanto o norte americano. Desde 2013, os protestos acarretados pelos assassinatos de Michael Brown, Alton Sterling, Atatiana Jefferson, Ahmaud Arbery, George Floyd e Breonna Taylor, entre muitos, muitos outros, aconteceram debaixo da bandeira BLM.


Breonna Taylor e Atatiana Jefferson, ambas mortas dentro de suas casas.


Michael Brown, Ahmaud Arbery, George Floyd e Alton Sterling, vítimas de violência policial.





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